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          13 Lendas Brasileiras
      
          Mario Bag

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Impresso Braille em volume 
nico na diagramao de 28 
linhas por 34 caracteres, edies Paulinas, 2005.
<F+>

          Volume nico

          Ministrio da Educao
          Instituto Benjamin Constant
          Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
          22290-240 Rio de Janeiro 
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          ~,http:www.ibc.gov.br~,
          -- 2007 --
<p>
          (C) Pia Sociedade Filhas de So Paulo -- So Paulo, 2005 

          Direo-geral 
          Flvia Reginatto 

          Editora responsvel 
          Maria Alexandre de Oliveira 

          Projeto grfico 
          Mario Bag 

          ISBN 85-356-1474-5

          Paulinas 
          Rua Pedro de Toledo, 164 
          CEP 04039-000
          So Paulo -- SP 
          (Brasil) 
          Tel.: (0xx11) 2125-3549
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          ~,www.paulinas.org.br~,
          ~,editora@paulinas.org.br~, 
          Telemarketing e 
          SAC: 0800-7010081 
<p>
                               I
          Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) 
          (Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 

<F->
Bag, Mario 
    13 lendas brasileiras / 
/ texto e ilustraes de Mario Bag -- So Paulo : Paulinas, 2005. -- (Coleo mito & 
magia)

    ISBN 85-356-1474-5 

    I. Lendas -- literatura 
infanto-juvenil  I. Ttulo.

04-8871         CDD-028`.5
<F+>

          ndice para catlogo 
          sistemtico
  
<R+>
     1. Lendas: literatura 
 infanto-juvenil    028`.5
<R->

<p>
Orelha

  Dizem que so os medrosos os maiores criadores de histrias fantsticas e de assombrao. Essas narrativas apareciam e se desenvolviam melhor naqueles tempos em que a gente vivia em lugares tranqilos, silenciosos, sem muita iluminao. As melhores histrias eram as contadas naquelas casas grandes do interior, onde a luz da lamparina projetava na parede imagens assombrosas e o silncio da noite era cortado por rudos que pareciam to ntidos, to prximos, que faziam a imaginao da gente trabalhar.
  Filhas do medo, da imaginao e tambm da vontade de entender a natureza e seus mistrios. As lendas brasileiras foram, na sua maioria, criadas pelos ndios e pelos negros africanos. Muitas, no entanto, chegaram aqui com os portugueses e diziam respeito a outros povos da Europa, a outros tempos da histria daqueles homens 
                            III
brancos, quando eles tinham muito mais contato com a vida simples dos indgenas do Brasil e da frica.
  Nem todas as lendas tm a ver com o medo. Os ndios gostavam de criar histrias para explicar a origem de vrios fenmenos da natureza e alimentavam o nosso folclore com lendas muito poticas, como a da Vitria-Rgia, do Boitat e da Iara. H lendas simpticas como a do Saci, moleque de uma perna s, sempre pitando o seu cachimbo, e a do Curupira ou Caipora, o protetor das florestas. Sempre relembradas, com inmeras verses que variam de acordo com a regio do Pas, passando de pai para filho, essas histrias e esses mitos fazem parte de nossa cultura e, se no mais assustam as crianas de hoje em dia, certamente enchem de magia e colorido a imaginao delas.

Isabel Lustosa
<p>
  Mario Bag  carioca. Nasceu em 1956 e trabalha como ilustrador *freelance* desde 1977. Tem trabalhos publicados em vrias 
 revistas e capas de discos.
  H dez anos faz ilustraes mensalmente para a revista 
 *Cincia Hoje das Crianas*. 
  autor dos livros *A, B, C & Outros Bichos* e *1, 2, 3 & Outras Coisas*.
<p>
                               V
Sumrio
 
<F->
Abertura :::::::::::::::::: 1
Curupira :::::::::::::::::: 3
Cabra-Cabriola ::::::::::: 5
Saci-Perer :::::::::::::: 7
Boto :::::::::::::::::::::: 9
Iara :::::::::::::::::::::: 11
Lobisomem ::::::::::::::::: 13
Matinta-Perera ::::::::::: 15
Dama de Branco ::::::::::: 17
Boitat ::::::::::::::::::: 19
Mula-sem-Cabea :::::::::: 21
Negrinho do Pastoreio :::: 23
Cobra-Norato ::::::::::::: 25
Vitria-Rgia :::::::::::: 27  
Final ::::::::::::::::::::: 29    
<F+>
<p>
<4>
<T13 lendas brasileiras>
<T+1>
Abertura

 Eu e o compadre Chico Simas 
 Em noite de lua cheia 
 Vamos cantar nossas rimas 
 Mas no faam cara feia. 

 Ns falamos de um assunto 
 Que gela o sangue na veia 
 Mesmo com a gente assustado 
 Nossa imaginao no freia. 

<F->
Qualquer barulho na noite 
Se transforma em algo estranho 
Gato miando de frio 
Vira um bicho deste tamanho. 
<F+>

<F->
Madeira velha estalando 
Parece fantasma acordando 
Cachorro uivando com fome 
 monstro atacando rebanho. 
<F+>

<5>
<F->
V com calma, Z Fragoso 
Que assombrao me arrepia 
Eu sempre fico nervoso 
Com esta nossa cantoria. 
<F+>
<p>
 
<F->
Eu sou um cara bem medroso 
Sou o rei da covardia 
No vou conseguir dormir 
Antes que amanhea o dia. 
<F+>

<F->
Com essas coisas do alm 
No podemos nem brincar 
Ainda mais  meia-noite 
Sem ningum neste lugar. 
<F+>

<F->
No me provoque medo 
Vamos logo comear... 
O pessoal est lendo o livro 
Pra ouvir a gente cantar... 
<F+>

               ::::::::::::::::::::::::
<6>
<P>
Curupira

<F->
Que apito estridente  esse? 
Aqui no  caminho de trem! 
Ser o guardio da floresta 
No seu louco vaivm? 
<F+>

<F->
Quem maltrata a natureza 
Desperta toda a ira 
De uma criatura selvagem 
Chamada Curupira! 
<F+>

<F->
Cabelo vermelho ao vento 
Olhos ameaadores 
Dentes verdes pontiagudos 
Pra assustar os caadores! 
<F+>

<F->
Esse indiozinho esperto 
Com os ps virados pra trs 
Amedronta porque acha certo 
Proteger os animais! 
<F+>

<F->
Correndo por toda a mata 
Atrs de quem mata e destri 
Montado num porco-do-mato 
 um verdadeiro heri! 
<F+>
<p>
 
<F->
Confunde seus perseguidores 
Com a pegada invertida 
Que acabam perdendo o rastro 
E ficam loucos da vida! 
<F+>

<F->
Seu assobio agudo 
Ecoa por toda a floresta 
E a Me Natureza agradece 
Em meio a uma grande festa! 
<F+>

               ::::::::::::::::::::::::
<8>
<P>
Cabra-Cabriola 
 (Bicho-Papo)

 Que risada pavorosa 
 Quebrando o silncio e a calma 
 Me deixou paralisado 
 Gelou at minha alma! 

  gente de farra na esquina
 Ou ento  a Cabra-Cabriola 
 Atrs dos moleques traquinas 
 Que no foram  escola. 

 Em noite escura sem lua 
 Esse bicho to medonho 
 Pode querer engoli-lo 
 Tora pra que seja um sonho! 

  esperta feito raposa 
 Fedorenta como bode 
 Fareja igual co de caa 
 Com ela ningum pode! 

 Levando um saco nas costas 
 Pra carregar as presas 
 Segue sua ronda na caa 
 De crianas indefesas! 
<p>
 
 Menino travesso, cuidado! 
 Se fizer malcriao 
 Voc vai virar merenda 
 De um tal Bicho-Papo! 

 Mas se voc for bacana 
 E fizer tudo bem certo 
 Pode dormir tranqilo 
 Que a Cabra nem passa perto. 

               ::::::::::::::::::::::::
<10>
<P>
 Saci-Perer

 E aquele vulto no quintal 
 Nem me arrisco a ir l pra ver 
 Se  roupa voando em varal 
 Ou se  o Saci-Perer! 

 Quem j viu o Saci pulando 
 Com seu cachimbo em brasa 
 Disse que ele  to veloz 
 Que at parece ter asa! 

 Com seus olhos cor de fogo 
 Que brilham feito lanterna 
 Zoando num redemoinho 
 Pulando numa s perna! 

 Esse homenzinho estranho 
 To negro feito carvo 
 Brinca com as brasas sem medo 
 Tem um furo em cada mo! 

 Ele vem envolto em vento 
  menor que um ano 
 Como um metro de altura 
 Causa tanta confuso? 
<p>
 
 Soltou vacas e cavalos 
 Espalhou farinha no cho 
 Assustou todas as galinhas 
 Eta, moleque do co! 

 Para prender o diabinho 
 S jogando uma peneira 
 Dentro do redemoinho 
 E acabar com a brincadeira! 

               ::::::::::::::::::::::::
<12>
<P>
 Boto

 Escuta o mergulho no rio 
 Ningum se banha a esta hora 
  o Boto que est fugindo 
 Namorou e est dando o fora! 

 Se uma jovem bonita engravida 
 E o pai ningum conhece 
 Deve ser coisa do Boto 
 Que na gua desaparece. 

 Uma vez a moa Lindalva 
 Numa festa de So Joo 
 Apaixonou-se por um forasteiro 
 Sem ouvir a voz da razo. 

 Mesmo com tanto calor 
 Ele no tirava o chapu 
 Mas a moa nem notava 
 Estava no stimo cu. 

 Dizem que o Boto esconde 
 O buraco por onde respira 
 Que fica em cima da testa 
 Por isso o chapu no tira. 
<p>
 
 Lindalva sumiu por semanas 
 Mas enfim apareceu 
 Molhada dos ps  cabea 
 Sem dizer o que aconteceu... 

 Espere nove meses 
 Pra que o caso se esclarea 
 Vai nascer o filho do Boto 
 Com furinho na cabea! 

               ::::::::::::::::::::::::
<14>
<P>
Iara 
 (Me-D'gua)

 Mergulho no rio  noite 
 Se no  o Boto  a Sereia 
 Levando pro fundo das guas 
 Algum pescador da aldeia. 

 Uma tarde Saturnino 
 Levando peixes pra feira 
 Ouviu um cantar l no rio
 E se jogou da ribanceira... 

 Sem saber por que razo 
 Foi nadando at o fundo 
 L encontrou uma princesa 
 Que no era deste mundo... 

 Cabelos negros com flores 
 Tapando as partes ntimas 
 Uma estrela brilha na testa 
 Atraindo suas vtimas! 

 Essa mulher, meio peixe 
 O fascinou profundamente 
 Os olhos cor de esmeralda 
 Enfeitiaram sua mente! 
<p>
 
 Depois reapareceu louco 
 Dava pra ver pela cara 
 Contando histrias sem nexo 
 Vimos logo que foi Iara... 

 Se escutar um canto  tarde 
 E ficar hipnotizado 
 No pense duas vezes, fuja 
 Ou vai morrer afogado! 

               ::::::::::::::::::::::::
<16>
<P>
 Lobisomem

 Sexta-feira, lua cheia 
 Se escuta um uivo sem fim 
 De um homem que  meio lobo 
 Sado de um sonho ruim! 

 De uma prole de sete 
 O Lobisomem  o caula 
 Cresce anmico e magro 
 Apesar de toda gula! 

 Comea aos 13 anos 
 A maldio do rapaz 
 A horrvel transformao 
 Na besta-fera voraz! 

 Seu plo e orelhas crescem 
 Os dentes viram navalha 
 Do nariz cresce um focinho 
 Sobre a boca de fornalha! 

 Procurando saciar a fome 
 Invade todos os chiqueiros 
 Sedento de sangue engole 
 Uma dzia de porcos inteiros! 
<p>
  
 Se at um baita homem forte 
 Esse monstro derruba no solo 
  Deus, que no cruze com ele 
 Mulher com criana no colo! 

 Ao primeiro raio de sol 
 Voltar a ser humano 
 Sem saber o mal que fez 
 No seu pesadelo insano... 

               ::::::::::::::::::::::::
<18>
<P>
 Matinta-Perera

 Que assobio misterioso 
 D medo e tremedeira! 
 Ser vento soprando o mato 
 Ou ser a Matinta-Perera? 

 O canto dessa ave feia 
 Causa um frio na espinha 
 Pra fazer algum sofrer 
 Se disfara de velhinha. 

 Ela vem com o rosto coberto 
 Com jeito de boa senhora 
 Voc deve convid-la 
 A visitar-lhe onde mora. 

 Se tentar enganar a velha 
 Ela se esconde no quintal 
 Baguna toda a cozinha 
 E enche a comida de sal! 

 Essa velha interesseira 
 S aparece pra azarar 
 E no sossega enquanto 
 No destruir o seu lar! 
<p>
 
 Se ela bater na sua porta 
 Escute um conselho amigo: 
 D-lhe caf e fumo 
 E no correr perigo! 

 Quando ela est pra morrer,
 "Quem quer?", pergunta a maldita 
 Se algum responde: "Eu quero!" 
 Se torna a nova Matinta. 

               ::::::::::::::::::::::::
<20>
<P>
Dama de Branco

 Que rangido estranho  esse? 
 No  porta emperrada 
 Pois vem l do cemitrio 
 Deve ser alma penada! 

  a mulher da meia-noite 
 Que ao soarem doze badaladas 
 Levanta da tumba e assombra 
 As pessoas nas estradas! 

 Era uma jovem moa 
 Que morreu de sofrimento 
 Ao saber que o belo noivo 
 Desistiu do casamento! 

 Da por diante sua alma 
 Vaga em busca de algum 
 Que se apaixone por ela 
 E vivam felizes no alm... 

 Na curva da estrada deserta 
 Envolta num halo de luz 
 Ela pede carona pra casa 
 Com uma voz que seduz. 
<p>
 
 O motorista fica encantado 
 To cego por tanta beleza 
 E faz o caminho indicado 
 Mas tem uma estranha surpresa... 
 
 Em frente a um muro branco 
 Pra o carro e ela desce 
 Dizendo: " aqui que eu moro"
 E no ar desaparece... 

               ::::::::::::::::::::::::
<22>
<P>
 Boitat

 Ver luz piscando ao longe 
 Me assusta s em pensar 
 Ser que  vela acabando 
 Ou ser que  o Boitat? 

 Depois que a grande chuva 
 Desabou sobre o serto 
 Arrasando quase tudo 
 Veio logo a escurido! 

 Uma cobra enorme com fome 
 To grande feito um drago 
 Pra sobreviver engolia 
 Os olhos dos corpos no cho! 

 A cada olho tragado 
 Cresciam os olhos da serpente 
 Aumentando a luz do seu corpo 
 Que se tornava reluzente! 

 Assombrando rios e matas 
 Com seus olhos de gigante 
 O "coisa-de-fogo" atacava 
 Quem se colocava adiante! 
<p>
 
 Os homens olhavam assustados 
 O bicho sempre faminto 
 Formando por onde passava 
 Um luminoso labirinto! 

 At que um dia morreu 
 E a luz de seu corpo emergiu 
 Se tornou um novo sol 
 O mais brilhante que se viu! 

               ::::::::::::::::::::::::
<24>
<P>
 Mula-sem-Cabea

 E esse relincho horroroso 
 No meio da encruzilhada? 
  a Mula-sem-Cabea 
 Correndo desembestada! 

 Uma apaixonada mulher
 Acabou perdendo a cabea 
 Por causa de amor proibido 
 No h quem no enlouquea... 

 Ela namorou um padre 
 E tomada pela vergonha 
 Ficou condenada pra sempre 
 A vagar dessa forma medonha. 

 Largando fogo das ventas 
 Espalha um terror eterno 
 Se encontra algum pela frente 
 Manda a pobre alma pro inferno. 

 A cruz marcada no plo 
  a lembrana de toda a desgraa! 
 Ferraduras de prata nas patas 
 Brilham por onde ela passa! 
<p>
 
  impossvel dom-la 
 To xucra, no h quem a lace! 
 D coices enfurecida 
 Como se o diabo a montasse... 

 Ao som de galope na noite 
 Tranque a casa e comece a rezar: 
 "Cruz credo, x, coisa-ruim 
 Segue sua vida de azar!". 

               ::::::::::::::::::::::::
<26>
<P>
 Negrinho do Pastoreio

 Escuta esse gemido 
 Igual beb com dor de ouvido! 
  o choro de um certo menino 
 Com passado to sofrido... 

 No tempo da escravido 
 O dono de uma fazenda 
 Maltratou tanto um negrinho 
 Que acabou virando lenda. 

 O menino perdeu um cavalo 
 Depois perdeu um garrote 
 E o senhor, sem piedade 
 Deu-lhe surras de chicote! 

 Depois amarrou o menino 
 Em cima de um formigueiro 
 Pra que as savas devorassem 
 Seu corpo nu por inteiro! 

 No dia seguinte voltou 
 Pra conferir o resultado 
 E caiu de joelhos rezando 
 Ao ver um milagre realizado! 
<p>
 
 O menino se tornara um anjo! 
 Pairava com olhar de bondade 
 E uma luz apagara do seu corpo 
 As marcas da barbaridade! 

 O Negrinho do Pastoreio 
 Que sofreu tanta maldade 
 Agora guia a boiada 
 Atravs da eternidade! 

               ::::::::::::::::::::::::
<28>
<P>
 Cobra-Norato

 Escuta s esse chiado 
 De cobra caando rato 
 Ser jararaca no campo 
 Ou ser Cobra-Norato? 

 Uma ndia engravidou 
 E teve crianas gmeas 
 Filhas de uma sucuri 
 Um macho e uma fmea. 

 Criadas juntas num rio 
 Tinham ndoles inversas 
 Norato salvava as pessoas 
 Afundadas pela irm perversa. 

 Norato no teve escolha 
 E matou a irm Maria... 
 Ficou destinado a encontrar 
 Algum que o libertaria! 

 Toda noite abandonava 
 A pele escamosa e fria 
 E tomava a forma humana 
 At o raiar do dia. 
<p>
 
 O filho da cobra grande 
 Se transformava em moo aflito 
 Vagando  procura de algum 
 Que quebrasse o feitio maldito. 

 Um dia um soldado valente 
 Sangrou a cobra monstruosa 
 Que aprisionava Norato 
 Libertando sua alma bondosa! 

               ::::::::::::::::::::::::
<30>
<P>
 Vitria-Rgia

 Havia no meio da mata 
 Uma aldeia de ndios tupi 
 E todos amavam a lua 
 A quem chamavam Iaci. 

 As moas da tribo pensavam 
 Que a lua surgia para v-las 
 Escolhendo as mais queridas 
 Transformando-as em estrelas... 

 Virar uma estrela no cu 
 Era o grande desejo da vida 
 De Nai, a filha do chefe 
 Que nunca era escolhida... 

 Na beira de um lago azul 
 Debruou-se a triste menina 
 Que viu a lua refletida 
 Na gua to cristalina... 

 Pensou que Iaci viera 
 Busc-la do fundo do lago 
 E atirou-se nas guas profundas 
  procura de um afago! 
<p>
 
 A lua ficou comovida 
 Com a prova de amor to ardente 
 Transformando a ndia to bela 
 Numa estrela diferente! 

 No meio das plantas do lago 
 Nai virou uma flor 
 To branca que clareia a noite 
 Vitria-Rgia do amor! 

               ::::::::::::::::::::::::
<32>
<P>
 Final

 Eu e o compadre j acabamos 
 Palmas! A gente merece! 
 Cantamos lendas do serto 
 Que a cidade desconhece. 

 No ficamos por mais tempo 
 Pois daqui a pouco amanhece 
 S lembramos treze histrias 
 Porque a memria esquece... 

 So trs horas da manh 
  melhor a gente ir embora 
 Nossa famlia nos espera 
 Em casa at agora! 

 E se a gente encontrar 
 O Curupira pela frente 
 Vergonha vamos passar 
 Afinal ns somos gente... 

 Mas quem canta o mal espanta 
 E o perigo logo some 
<p>
 Cantando mal desse jeito 
 Espantamos at Lobisomem! 

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

Fim da Obra
